sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Eu preciso dizer, Clara


Pessoas
Eu não sei por onde começar, porque penso que não deveria começar. Mas estou engasgadíssima com umas cenas que vi ontem e hoje a respeito da escritora que participou do programa Troca de Família (Rede Record) e afirma que foi traída pelo seu então marido.
Pronto. Acho que já comecei. O lead tá aí. Agora vamos lá...vou entortar a pirâmide agora, porque preciso ordenar os fatos, e isso aqui é bobagem e não jornalismo, então, vambora.
Agora a Clara já sabe que eu não to falando da "Kiara", a tal da novela que eu não vi, mas que entrou para a calçada da fama novelística (só se for do Vídeo Show) com o pezinho ao lado do da Odete Roitman e outras.
Pronto de novo: Clara, eu to falando de você, "oi?" [na boa, eu adorei o seu "oi?", não to sendo irônica aqui, não].
Tenho pavor de Big Brother (com respeito absoluto especialmente a dois amigos meus que vivem intensamente cada programa), mas o "Troca de Família" é uma das coisas que meu cérebro pede quando quer desligar. Aquele "Casos de Família", no qual um fica apontando o defeito do outro, também, porque parece que fica todo mundo com o lado animal bem exposto e eu fico analisando com a minha vã, empírica e totalmente pessoal visão psicológica, sociológica e antropológica da coisa (ah...e como comunicóloga também, lógico). Mas minha mãe e minha irmã meio que me encheram tanto que eu nem sei mais se ainda passa aquilo, enfim.
Daí ontem, vagando pelos sites de notícias, pulou a fofoca sobre a escritora traída. Oi? No site R7. Oi? O que é o R7? O portal da Record. E quem é a escritora? Colunista do portal da Record. Oi? A pulga já começa a coçar aqui.
Pois bem...a Clara (nem vou citar referências, sobrenome ou o blog dela, porque se lá ela escreveu "Oi, meu nome é Clara e eu sou corna", agora vai ver que jogando "corna" no google só dá ela, primeirona) é uma mulher de visual chocante, bonita de ver mesmo. Não conheço nada do que ela escreveu, mas se conseguiu se estabelecer financeiramente sendo escritora no Brasil, mesmo que seja escrevendo literatura de consumo, meu respeito e aplauso. O que importa a mim não é o que ela escreve ou canta (ela também canta, mas eu não entendo nada de música e já acho que to palpitando demais aqui), o que importa é a Clara que está vagando por aí hoje.
A moça escreveu em seu blog um texto escancarando que foi traída. E que não sabia se o programa ia mostrar cenas que comprovassem, mas que ela tinha certeza de tudo. E ela é tão irônica, mas tão irônica que até eu que sou fã número um de ironia e sarcasmo, me senti mal com os excessos. 
Pois bem, fiquei imaginando o que a Record faria na edição de um programa em que a própria funcionária (colaboradora, sei lá...colunista do R7) havia participado, se sentido traída, e portanto, sido vítima. O que pensariam as esposas que estivessem pensando em participar do programa? Na minha cabecinha confusa, penso que desistiriam, não?
Continuando o ócio, achei no youtube uma reportagem (grande, por sinal) que o Domingo Espetacular fez com a moça começando com um "notícia bomba!". Oi? O Domingo Espetacular passa onde? Na Record. Mas eu ainda não to pensando que a Record tá construindo polêmica em cima do próprio programa pra causar um pouco e gerar audiência - porque penso que a audiência seria em curto prazo e depois não acharia mais interessados em participar voluntariamente (a própria reportagem diz que é comum rolar separação depois do programa).
Fato é que assisti aos programas e não enxerguei NADA de traição. NADA. Ambos os casais eram jovens, saíram para beber, beberam, ficaram bêbados, e o programa não mostra além disso. Ok, a edição pode ter preferido assim, mas a reportagem em torno da suposta traição emenda cenas desconectadas, coloca falas soltas em lugares impróprios, cria coerências falsas, faz uma bagunça imensa com as partes do dia, as cenas, as situações e dá a entender que a traição aconteceu. Mas não tem nenhuma cena extra, nada que tenha sido captado e só agora tenha sido veiculado. Ou seja, recorta o próprio programa que a emissora produziu e o distorce.
Enfim, isso não me incomoda, não fosse o fato da Clara escancarar sua suspeita com uma certeza e rabugisse de semelhança com a casmurrice que Machado criou. E quem leu Dom Casmurro sabe o sufoco que é viver procurando provas de algo que não deixou provas. (ah...ela disse que o cara acabou confessando, depois que eles já haviam se separado por outros motivos - oi? Clara, querida, depois da separação é isso. Cada um quer sair mais bonito na foto e cantar mais alto "eu nunca te amei, idiota" - e se ele não te traiu no programa, mas você morre de vontade que ele diga que sim, ele vai dizer, você vai se retorcer de raiva e ponto pra ele!).
Clara, você tem certeza? Então tenha. Mas não deixe de ser a moça que escreve livros, e que os vende muito, que canta numa banda e que consegue se manter como escritora. Você disse durante o programa que tem Transtorno Bipolar, e eu nunca convivi de perto com isso mas creio ser algo bastante sério e doloroso, e aposto minhas opiniões (psiquiátricas agora) de que tudo isso faz parte dos fantasmas que a gente vê quando a cabeça da gente tá cheia demais pra conseguir manter os procedimentos organizados e sadios.
Clara, não dê mais entrevistas xingando a outra participante. Clara, tá tão feio. Eu daria risadas, se não tivesse ficado preocupada. Clara, não tá legal. Vai por mim. Clara, eu precisava dizer. 

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