terça-feira, 26 de julho de 2011



Ela dormiu no calor
Dos meus braços
E eu acordei sem saber
Se era um sonho
Algum tempo atrás
Pensei em te dizer
Que eu nunca cai
Nas suas armadilhas de amor...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Amontoe

Menino bonito dos olhos castanhos e cabeça encaracolada de caraminholas, a vida é este amontoado mesmo. Uma porção de coisas por guardar. Uma porção de coisas por usar. Um embaralhado de aproveitar e descartar, que se misturam de modo a não permitir diferença, separação.

Daí as coisas sobre a cômoda, ainda que dentro dela haja espaço. Daí as meias pelo chão, por não saberem se vão pro cesto ou usaremos uma vez mais. Daí as peças sobre a cama, atrapalhando o pedaço de dormir.

Não sabemos bem onde coloca a vida porque é a vida este amontoado mesmo. Uma porção de coisas por ficar. Uma porção de coisas por partir. Um embaralhado de inovar e consertar, que se emaranham com jeito de quem não quer partir, desintegrar.

Daí as coisas nos cabides, mesmo quando não nos servem mais. Daí as caixas que sobem em outras caixas, por não saberem até quando as esqueceremos lá. Daí os calçados sob a cama, juntando poeira e perdendo os convites para caminhar.

Você devia saber que a vida é este amontoado mesmo. Uma porção de constrangimentos pra desembaraçar. Um embaralhado de sucessos e arrependimentos, que se alternam ou se abraçam, de modo que não dá pra separar.

Daí os pesos que hoje eu tenho – leves, sadios. Daí as partes que ainda sinto – doídas, dolorosamente saborosas. Daí os motivos que carrego pra viver contigo – frustrado, medroso, arredio, amontoado mesmo.


Amanda Reis