terça-feira, 26 de novembro de 2013

caminhadas



Andamos mais do que percebemos. Andamos muito naquelas tardes. Só não andamos mais que o tempo. Mas o tempo...ah...o tempo nós reconquistamos rapidamente naquelas tardes. Entre tantos passos, relembramos dias de tantos dias atrás. Por meio de milhares de pisadas, fomos gradativamente voltando...voltamos ao dia em que caminhamos juntos.
Não sei se voltamos para aquele ano ou ele mesmo veio até nós. Nossos rostos ganharam consciência de tudo que foi vivido sem pensar. E pensamos agora que nada nos faria pensar que é tarde demais. Desembrulhamos cada gesto sem protestos, na alegria simples de risadas e delicadezas. Confessamos por gentilezas a surpresa experimentada por quatro ouvidos e duas bocas.
Caminhamos.
E não precisaremos mais de um encontro em 2004. Marcamos o próximo encontro sempre para hoje mesmo.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Aqui estou


Aqui chuvinha chovendo
Estou decorando minha casa pra não deixar vazio meu coração
Estou escrevendo sobre história pra deixar a ciência sempre no presente
Estou torcendo o pano para deixar lisos meus lençóis
Estou exagerando na água pra poder encontrar o sol mais vezes
Estou trocando a tinta pra continuar completando a página
Estou em passos mais lentos pra que seja mais segura a corrida
Estou apagando as luzes mais cedo pra que minha mente permaneça acesa
Estou preferindo outros canais assim enriqueço meu vocabulário
Estou na sacada olhando pra baixo, com os pensamentos aéreos
Estou no banco da praça olhando os carros se empurrando
Estou em uma cadeira branca na certeza de que ela não tem rodinhas nem encosto
Estou com os pés inquietos mas pouco saio do lugar
Estou com sdds da incoerência, da imprudência e da lua q cobre tudod que seja incerto, incorreto e improdutivo

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

percebo


percebo que busca a paz, amigo meu. tem riscado seu céu com imaginação e velocidade, com ciência, com velocidade, em busca de algo calcificado por décadas. merece sua casinha no pé da serra. merece a cama quentinha, o café no coador e o cheiro que vem de lá dominando a casa. merece o silêncio, uma pausa no ônibus que te sacoleja e te fere de forma sólida. e solitária. 

percebo que seu rosto mudou, meu amigo. sua canseira anda aparente, sua sabedoria, que alívio, cada vez mais no ponto. sei das tuas mudanças, por anos e anos, seguindo aquilo que esteve por demais incerto. seguindo um alvo que te escapava e insistia em escorregar das mãos mesmo depois de dominado. largaste tudo, até boa parte da dignidade afetiva, da segurança emocional, em prol de...

(PAUSA: coração grande, coração na espera, coração no suspiro de uma nova retomada) 

percebo que suas mãos agora confiam em toques que seu corpo e sua alma talvez não tenham, depois de tantos embarques e desembarques, nem chegado próximo. o amigo coçou a cabeça, fuçou a rala barba, enquanto narrava este enredo de paradas longínquas...sabe que de mim tens aprovação, como talvez tiveste em tantas outras andanças...mas o amigo precisa aprovar a si mesmo. crer que tem muito mais para depositar o que aprendeu em experiências revigorantes e que lhe tragam...tb não sei.

percebo que quer ser escolhido, pois de tanto mostrar-se, desapareceu, tornou-se invisível diante de olhos tampouco apaixonados. percebo que tens medo, receio, pavor, pânico, ansiedade, por escolher. por assumir. por seguir. tb tenho e por isso, estou do seu lado. e aqui quero continuar até perceber te feliz de fato.


terça-feira, 5 de novembro de 2013

agora


Nós temos um caderno novo, com folhas sem pautas, de brancura assustadoramente ofuscante. Nós temos quilômetros incontáveis de areias intactas, e nosso pés desejam sentir o calor dos primeiros passos. Nós temos desertos de silêncio sem palpites e sem dores, e vamos habitá-los a partir de agora. Nós temos o estranho modo de aproximarmos sua aventura e minha inquietude, e encostarmos sua mão no meu rosto. Nós temos a sorte de sermos dois desconhecidos conectados por palavras digitadas ainda com medo, com filtro, com pausa. Mas nós temos a estrada inteira, e temos caminhos sem grades e jardins sem cercas. Agora nós temos um ao outro. Agora nós temos. Agora, nós. Agora.