segunda-feira, 21 de julho de 2008

um estampido...oito ou nove horas depois


um estampido a acordou. Os olhos abriram, rápidos, mas sem a exata noção da posição dos ponteiros. O cheiro do perfume cítrico ainda pairava, percebeu que ainda tinha companhia. Os olhos fecharam. Lembranças fizeram adormecer...
...oito ou nove horas antes...
...o motor fervia e ainda ruía no subsolo. Corpos fervilhados, bocas que se descolavam e estalavam e os levavam a um ato...insano? Saboroso era o que sentia agora pela manhã. Os cabelos puxados, a roupa remexida, beijos, empurrões e consentimentos. O clima no banco traseiro fez pulsar o silêncio. A escuridão fora mantida, mesmo que acompanhada por ardentes quarenta minutos de sexo. O motor esfriou, os gemidos se sucederam, ébrios que estavam...não era o álcool que os estimulava. Nunca foi, mente quem diz o contrário. – Filho da puta, me faça mulher! O sapato se perdeu, pouca importância, braços que amavam, mordidas sem limites, sexo, sexo, sexo. Doce violência. Não teve pudores, empurrou o corpo dele para trás e se satisfez, louca, certa, mandou, usou mesmo aquele corpo que não tinha certeza alguma se algum dia tocaria novamente. Há tempos esperava por uma cena assim. Nunca teve, na verdade, a devida medida que o sexo exige. Abuso e as portas se abrem, a roupa arrancada, o elevador invadido, corpos selvagens, vontades proibidas, postas para fora em um três andares solitário, longe do ruído de um sábado que ainda não terminara...menos de cinco minutos depois, gargalhadas as mais deliciosas que poderia uma mulher se permitir, o gozo, intenso, alto, o sono.
...oito ou nove horas depois...um estampido a acordou.

Um comentário:

Amanda disse...

AGT, vc se supera! Nunca pensei que o anonimato em um blog lhe renderia nada parecido! Só tenho a elogiar, pra variar! E talvez precise de meses ou anos para acreditar, o que também não deixa de ser comum! Beijos. Amanda Reis - a sócia desse blog.