Um novo estampido. Agora assustou pra valer. Sentiu tremer as idéias. Eram rojões, domingo de manhã, acompanhados das mãos dele em seus seios, rápidas, porém suaves. Sorriu de maneira safada. Gemeu bem mansinho, deixou rolar entre lençóis um ritmo mais ameno. Ameno, não sereno. Agora na luz da sobriedade matutina conseguiu sentir a pele como que se sente um gramado bem aparado, uma nuvem que não se pode tocar, mas que deixa fluir a imaginação que beira a infantilidade. Como felinos se misturaram a risos e puxões de cabelo repletos de carinho. Sabiam, ambos, que a partir dali seguiria a distância e não fecharam os olhos por nada, compartilhando toques, saboreando movimentos que corpos desnudos e sutis só são capazes àquela hora do dia. Suas coxas não cansaram de ser torneadas por uma má intenção. Ainda era sábado? Sua mente rompeu qualquer barreira cronológica. Sua boca mastigou a sensação do sigilo, do desconhecido. O fez gozar primeiro, para depois se deixar esparramar na cama e olhá-lo, mas uma vez, por inteiro. Em um único parágrafo teve sozinha o orgasmo mais revelador que seu corpo poderia descobrir. Mais rojões, ele se foi.
Alma Gêmea Textual
