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terça-feira, 22 de julho de 2008

Mais rojões, ele se foi

Um novo estampido. Agora assustou pra valer. Sentiu tremer as idéias. Eram rojões, domingo de manhã, acompanhados das mãos dele em seus seios, rápidas, porém suaves. Sorriu de maneira safada. Gemeu bem mansinho, deixou rolar entre lençóis um ritmo mais ameno. Ameno, não sereno. Agora na luz da sobriedade matutina conseguiu sentir a pele como que se sente um gramado bem aparado, uma nuvem que não se pode tocar, mas que deixa fluir a imaginação que beira a infantilidade. Como felinos se misturaram a risos e puxões de cabelo repletos de carinho. Sabiam, ambos, que a partir dali seguiria a distância e não fecharam os olhos por nada, compartilhando toques, saboreando movimentos que corpos desnudos e sutis só são capazes àquela hora do dia. Suas coxas não cansaram de ser torneadas por uma má intenção. Ainda era sábado? Sua mente rompeu qualquer barreira cronológica. Sua boca mastigou a sensação do sigilo, do desconhecido. O fez gozar primeiro, para depois se deixar esparramar na cama e olhá-lo, mas uma vez, por inteiro. Em um único parágrafo teve sozinha o orgasmo mais revelador que seu corpo poderia descobrir. Mais rojões, ele se foi.

Alma Gêmea Textual


segunda-feira, 21 de julho de 2008

um estampido...oito ou nove horas depois

um estampido a acordou. Os olhos abriram, rápidos, mas sem a exata noção da posição dos ponteiros. O cheiro do perfume cítrico ainda pairava, percebeu que ainda tinha companhia. Os olhos fecharam. Lembranças fizeram adormecer...
...oito ou nove horas antes...
...o motor fervia e ainda ruía no subsolo. Corpos fervilhados, bocas que se descolavam e estalavam e os levavam a um ato...insano? Saboroso era o que sentia agora pela manhã. Os cabelos puxados, a roupa remexida, beijos, empurrões e consentimentos. O clima no banco traseiro fez pulsar o silêncio. A escuridão fora mantida, mesmo que acompanhada por ardentes quarenta minutos de sexo. O motor esfriou, os gemidos se sucederam, ébrios que estavam...não era o álcool que os estimulava. Nunca foi, mente quem diz o contrário. – Filho da puta, me faça mulher! O sapato se perdeu, pouca importância, braços que amavam, mordidas sem limites, sexo, sexo, sexo. Doce violência. Não teve pudores, empurrou o corpo dele para trás e se satisfez, louca, certa, mandou, usou mesmo aquele corpo que não tinha certeza alguma se algum dia tocaria novamente. Há tempos esperava por uma cena assim. Nunca teve, na verdade, a devida medida que o sexo exige. Abuso e as portas se abrem, a roupa arrancada, o elevador invadido, corpos selvagens, vontades proibidas, postas para fora em um três andares solitário, longe do ruído de um sábado que ainda não terminara...menos de cinco minutos depois, gargalhadas as mais deliciosas que poderia uma mulher se permitir, o gozo, intenso, alto, o sono.
...oito ou nove horas depois...um estampido a acordou.