segunda-feira, 9 de novembro de 2009

chamar-te




repare como o vento escolhe seu rosto. perceba que, entre seus olhos e lábios, os traços revelam sensação de leveza quando se permite não fugir mais. compare os dedos, quando estão sozinhos e perdidos e, de repente, se encaixam a outros com carinho e maciez, dando ao silêncio um toque de calma e desejo expressos em cada milímetro, de cada par unido sem pressa. note como o tempo chega a dar mesmo uma brecha e estacionar, para depois voar lembrando que adorar é um sentimento permitido. lembre como cada palavra, sejam elas partidas de qualquer origem, se transformam em abraços ternos e longos quando ditas de forma compatilhada. inevitável como lábios se buscam e, junto deles, sussuros contam toda a verdade, a saudade, a segurança e a alegria de estar aproveitando o que tem de bom. o improvável sumiu mesmo do vocabulário, afinal uma tarde já se mostrou de forma plena, oferecendo cenário, banco, sombra, árvores, calendário oportunos para que, de forma súbita e indelével, percebessem que, a partir dali, poderiam definitivamente afirmar que a vida já lhes apresentou algo arrebatador. a partir dali, sem qualquer timidez, confessando cada detalhe de uma fraqueza que envolve e devolve fatos saborosos, pôde, naturalmente, acompanhando cada passo dos ponteiros, chamar-te minha paixão.


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

me deixe rascunhar no claro


ai que eu queria mesmo uma indicação de um livro que me ensinasse exatamente o que eu gostaria de aprender. ai apego que invade minhas noites de insônia, segura minhas maos e me ajuda a desenhar um rosto e um sorriso que espero, numa altura dessas, que esteja apenas dormindo. não quero apagar a luz. hj pareço ter medo do escuro. amanhã encaro de novo a penumbra, mas hj me deixe rascunhar no claro mesmo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Minha encomenda envolvida em papel de circo *

te amo indiscutivelmente e nunca imaginei encontrar um amor assim.


já esperei por trombadas em estação de trêm rodoviárias, aeroportos. Já esperei coisas inimagináveis.

me colocaram você. me presentearam.

vez, bateu em minha porta um velhote feliz, com a alma repleta de malabares, palhaço, números estonteantes, já com a pele enrrugada, me entregou você. uma encomenda perfeita.

o sinal de paz dos meus dias. a esperança de um final de dia feliz.

vezes, te amo mais que a mim mesmo.

são essas sensações que causas em mim diariamente que você nem imagina.

sequer imagina o que significas pra mim.

se te amo bastar, te amo!

aposte: é muito, muito além disso.

(Hoje meus pés cruzam os teus)

(*) furtado do Príncipe, que escreveu mês passado

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

perguntas



To procurando.


Um ar, um respiro. Algo que faça sentido em dias de chuva, algo que faça derrubar folhas enquanto estou apenas a esperar em um banco.


To procurando.


Uma companhia que seja aquela que quero. Um sentido, um gemido que perturbe com sorrisos a mais chata das mesmices.


To procurando.


Um perfume, suave de preferência, que me faça flutuar mesmo à distância, porque na lembrança também atingimos tal estado.


To procurando,


encontros furtivos, desencontros que me levem àquilo que me fez sorrir sem mais nem menos.


To procurando,


dar este tempo, sem mesmo saber será terá fim as voltas de um ponteiro sádico que me prende e me perturba da forma mais incômoda em meio a teclas que hoje parecem burras.


To procurando,


perguntas, porque respostas são simples de se dar.



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

vou te contar um segredo


Ouvi dizer que, depois de uma certa idade, e esta idade não é necessariamente tão avançada assim, as pessoas ficam chorosas quando o dia amanhece e o sol não sai. Bem sabemos que muitas mentes inquietas adoram dias cinzas, adoram o silêncio para que a ordem daquilo que pensam e imaginam possa se inverter na mais livre das seqüências.

Mas voltando aos momentos do amanhecer, as pessoas podem mesmo ficar a flor da pele com a simples lembrança de um toque, dado em um colo dos mais gentis. Lembrar de alguns instantes em que pôde mesmo cochilar, enquanto se sentia seguro em mãos que se revelam sempre ternas, faz com que meninos e meninas, ainda que crescidinhos, se deixam infantilizar na mais doce sensação da companhia.

Dizem que as meninas podem mesmo se desmanchar quando lembram da boneca mais surrada e não conter as lágrimas se a cena em que deixou a mesma boneca de lado para correr atrás da vida voltar a tona assim, sem pedir permissão.

Dizem que os meninos não abandonam a bola de capotão jamais. E quando lembram daquela partida disputada no campinho próximo de casa, quando chovia muito e ele fizera o gol da vitória, também são pegos de surpresa pelo olhar que mareja e o peito que aperta de uma forma saborooooooosa...

Viva a sua lembrança também, deixe que a alma se entregue e todo o corpo se derreta. Um abraço pode ajudar muito nessas horas.




segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Silencio

(9/7/1935 - 4/10/2009)



Duerme en mi jardin

Las blancas azucenas,

los nardos y las rosas

Mi alma, muy triste y pesarosa

A las flores quiere ocultar su amargo dolor


Yo no quiero que las flores sepan

Los tormentos que me da la vida

Si supieran lo que estoy sufriendo

Por mis penas llorarian tambien


Silencio que estan durmiendo

Los nardos y las azucenas

No quiero que sepan mis penas

Porque si me ven llorando moriran



Silencio (Rafael Hernandez)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

fruir

tem dias, ou um período um pouco maior, que tenho a sensação de que devo deixar o ar entrar, depois sair, depois voltar a circular, para que as letras sigam assim de modo mais solto. e quando este período se alonga, será sinal de que travamos ou de que simplesmente devemos escolher as palavras, pensar mesmo até na fonética e no subsequente efeito que poderia causar?

não tenho respostas e nem mesmo a pretensão. circula, o ar, mais uma vez. inoperância é algo que transtorna, sacrifica mesmo as horas e faz com que o ponteiro trave. incômodo, não, apenas ando conforme o som das letras nesse teclado que se mostra cúmplice. pontos.........interrogações?????? pra que envelhecer antes do tempo, se bem que conheço uma ou duas pessoas que mesmo depois dos noventa se mostram lúcidas e com uma capacidade de fruição impressionante...FRUIR, lá do Aurélio, estar na posse de, usufruir.

Vígulas não pedem respostas, apenas sugerem calma.

PS. ...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

companhia


Aqui não tem ninguém. E eu me esforço para que ninguém nunca veja, nunca leia, nunca note este espaço. Aqui não tem tinta, lápis, carvão, batom. E todas as minhas tentativas são contrárias ao que devo querer. Aqui não faz silêncio. E eu fico olhando a tela com uma batida ardente no tronco, vinda do estômago, espalhada uniformemente, fortemente, de repente, sinfonia de pratos e garfos, facas e garfos, colheres e facas, garfos e saltos, caindo, caindo, caindo, batendo por um, dois, três...tantos segundos que entontecem a sina de dar conta destas broncas - que a gente carrega pela teimosia; invoca e não larga; machuca, mas não fica na estrada por nada; não é deixada, não perde a vaga.

Vejo letras, letras, letras, feitas com dedos trêmulos (assim eu os quero), como os meus. Dançam e param, dançam e param. Espero, e o salão é o mais longo onde já dançamos - porque os seus não convidam, não tentam, me deixam. Tão longe, me tocam. Espero, sem pausa - dos pratos e garfos, facas e garfos, colheres e facas, garfos e saltos. Seus dedos sem pontas.
Os meus deixaram a leveza, a delicadeza da hora de estrela (passada, há tanto); ganharam a linguagem do tempo: doente, ferrugem, fugitivo da verdade de empoeirar-se ao longo de tanta pausa. Engano-os, enganam-me, esforçamo-nos! Não escreva, não deixe que percebam, esconda as pontas da vontade.

Obedeço. Guardo os dedos. E estremeço.

II - Danço, peço, quero, vejo, ganho. Segundo ato. Fato. Exato como quero. Não peço. Tenho. Ganho. Gosto. Volto - com os dedos. Perdoo. Esqueço. Invento - pronto!!! Ponto. Escreva, escreva, escreva, escreva, e-s-c-r-e-v-a, e--s--c--r--e--v--a, e---s---c---r---e---v----a, e-----s-----c-----r-----e-----v-----a...
e
s
c
r
e
v
a

terça-feira, 15 de setembro de 2009

l i v r e


“Escrevo porque não sei fazer música. Se soubesse ler partituras e articular notas harmônicas, não me arriscaria nessas linhas tortas e analfabetas. A música é uma forma de comunicação muito mais eficaz e perene. Qualquer canção permanece por mais tempo no imaginário do que o melhor dos textos literários. Mas é preciso ter ouvido sensível e alma dançante. Como não fui capaz de desenvolver tais habilidades, fiz a faculdade de Jornalismo. Na verdade, queria ser escritor, mas logo descobri que seria emparedado pelas regras de objetividade da imprensa diária”. (Felipe Pena)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

vou voltar

nunca foi tanto uma fase de treinar a ansiedade. esperar, nunca foi do meu feitio. quando esperei me dei mal. por isso, sei que aguardar apenas não me levará a lugar nenhum. ainda as idéias estão em lugares esparsos, mas elas chegarão na ordem que pretendo. não terei pressa é verdade, mas ficar apenas olhando? sem chance. ficar na dúvida quanto aos sentimentos, esqueça! mesmo quando estiver ali, apenas sentado, saberá que estou agindo, porque até agora, em tão pouco tempo neste planeta, aprendi que preciso resolver e não deixar que resolvam. humor, as palavras, não foram as melhores nos últimos segundos, mas...vou voltar.
PS. não duvide. apenas aproveite o que tem de bom.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

briga?

AR: pronto..me sinto bem melhor sufocando sua msg que nao é pra mim
AR: e agora me sinto melhor pra escrever coisas só da minha cabeça
AGT: nossa, pra que tanto rancor?sufocando é um verbo um tanto quanto forte, nao achas?
AR: nao não nao acho
AR: vc acha?
AGT: acho sim, um tanto quanto egoista e desnecessária, afinal blog é um espaço aparentemente democrático
AR: nao..sufocar é palavra leve para mim, nao considere tanto
AGT: nossa, está por demais atormentada com minha breve insinuação de alívio...não te agrada que eu me sinta am alívio?
AR: eu vou deixar um comentario no blog no post que nao é pra mim dizendo que é pra vc nao postar mais pq a pessoa nao gostou..rsrsrs
AR: e vou assinar "destinatário deste recado"
AGT: porque mentir assim, no meio da tarde? mesmo porque a pessoa ja me disse que adorou
AR:jura?? entao ela me conhece?
AGT: não, quer dizer, em termos
AR: sabe que eu sou a primeira dama do blog??? ahh..booom
AGT: sim, do blog sim e eu sou uma alma gêmea
AR: que lindo...entao se as coisas estao claras, eu topo...
AR: pq senao daqui a pouco vc poderia dar um login pra ela e ela ser sua AGT!
AGT: não precisa escrever assim, sabe disso
AGT: e vc nem sabe se é ela ou ele
AGT: acabou o fôlego?
AGT: enfim, me deste razão???

o silêncio, sempre ele, sábio...

adoro você e adoro poder dizer que continuo aliviado em ouvir uma voz que me conhece

.

brigas (tu)

AR diz:
hoje eu queria falar dos dias em que dá tudo certo
AGT diz:
entao fale e nao me de broncas mais, OK?
AR diz:
pq tem dias que, do nada, tudo dá certo..coisas inesperadas e tal..e mesmo hoje meu dia nao sendo um desses, só de nao dar tudo errado eu ja to satisfeita...mas aí vc me vem com essas broncas e tal...meu dia deu errado
AGT diz:
sacuda
AR diz:
mas vc ta indo tao bem no blog...adoro as surpresas - até as que nao são para mim (olha, como sou feliz!)
AGT diz:
pode parar EXAGERADA
AGT diz:
nossa, resignada
AGT diz:
vc é uma flor mesmo
AR diz:
gostei...to indo blogar - sim, esta conversa
AGT diz:
pronto, fique a vontade como eu já mencinei...nao tire nada, nem seus traços ciumentos e apaixonados
AR diz:
faz-me rir - e torça pra eu não excluir esta tua última alfinetada


Adoro você - mas isso não faz parte da conversa

...

ouvir sua voz
e saber que está bem
traz o ALÍVIO
.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

recebi hj, não há como negar


Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Briga que aparece pra trazer sorriso

Tem riso que parece choro
Tem choro que é por alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia

('Sonho de uma flauta' - Teatro Mágico)



quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Me Encante (Pablo Neruda )

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar...

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser...
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos...
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar...

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar...

Me encante com suas palavras...
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade...
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado...
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva....

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre...
Mas, me encante de verdade, com vontade...

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias...
Pelo resto das nossas vidas!!!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

tarde e silêncio

como que por impulso, resolvi escrever sem roteiro. silêncio e uma tarde, era tudo que eu queria. o que fazer quando essas duas palavras unidas estão dispostas assim, de repente? nem mais consigo imaginar, afinal as quero tanto que de tanto querer não defini uma linha a seguir, condutas a executar. então resolvi...rascunhar, traços, contatos, ainda se decobrem em meio a neblinas e silêncios em lugares pouco visitados. vozes que se cruzam de forma inesperada, no meio do período, a procurar um espaço, um tempo, um formato para emoldurar...não, emoldurar não é o verbo que pode sintetizar essas linhas. seguir, talvez sim, fruir se preferir mudar de estilo, mas que não se mude o significado, porque se este post tivesse um lema, seria "aproveitar o que tem de bom", assim, sem rodeios, sem expectativas. romper o silêncio e o telefone toca, as luzes acendem, a respiração perde o compasso e, como que se fruísse apenas o que saboreia, segue.

PS. este texto foi prometido em 3 de julho de 2009 a alguém que tem rompido meu silêncio de forma saborosa



zebra, Zé (qualquer), zíper (de jaqueta), zoar, zôo, zigue-zague, zona (de palavras), zonzo (de tanto escrever), zunzunzum (pra continuar), ZERO

yin-yang

xadrez, xale, xarope (as pessoas), xaveco, xerox, XINGAR, xixi, XODÓ, (xuxa nem pensar)

Wal Mart, Weber, W.O. workshop, western, WWW