Mostrando postagens com marcador Nossa andança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nossa andança. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Janeiro, janelas abertas, tem gente entrando. Mas neste blog ainda mora alguém? (Parte III - final)

- nossa, adormeci e nem me lembro o que aconteceu direito...
- hum, não se lembra...sei...
- minha cabeça dói muito.
- também, se perdeu na embriaguez da música...
- música? que música? é mesmo, teve um baile ali naquele post...caramba, só me lembro que fomos perguntar se precisava de convites e fomos entrando.
- música, muita música, gente, sorrisos, frases dançando freneticamente, as letras trombando, que bagunça vocálica!
- e a dona do blog, você viu?
- vi, mas apareceu super rápido, com uma agenda nas mãos, anotou os nomes, fez fotos e se retirou, disse que iria ficar olhando pela janela, que tamanha felicidade assim era boa de se ver pela janela.
- é doida mesmo essa moça hein!
- a tal de AGT se sentou num canto e riu bastante da bagunça...eita pessoa estranha aquela viu.
- amigo, não vi nada, minas pernas também estão adormecidas.
- pé-de-valsa, safado, vai dizer que não se lembra do rosto da mocinha que puxou pra lá e pra cá até agora a pouco?!
- mocinha? rosto? ficou o perfume, posso sentir...
- aaai minhas costas, vamos vamos, já bagunçamos demais por aqui, não quero arrumar as cadeiras e nem estar por perto quando voltarem...e muito menos pretendo ficar aqui por quatro ou oito anos...
- tem razão, divertido, enigmático, nos sense...vamos sair.
- complicado vai ser encontrar a porta da frente.
- meu filho, aqui não tem frente, nem verso, aqui é território do sem saber o quê!
- então vamos, acho que já saimos, na verdade.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Janeiro, janelas abertas, tem gente entrando. Mas neste blog ainda mora alguém? (Parte II)

- se a gente contar, ninguém acredita, o vento que tem som, sei lá, será que é isso mesmo?
- é isso mesmo, uma mistura de sons, cada um vem de um dos ventiladores...
- era para ser assustador, mas não, sinto uma coisa boa, algo que não consigo definir.
- também to percebendo algo que não se traduz...nossa, o que eu to falando?
- de quem é mesmo esse blog?
- de uma bailarina e sua alma gêmea textual.
- alma gêmea...textuaaaal??? como assim, povo maluco!
- pelo menos é o que tá escrito na entrada, 'poesia com bobagem', como sócios a bailarina e essa tal alma gêmea. nunca vi isso.
- eh! tem razão, aqui nesse lugar tem muita coisa que nunca vi em texto nenhum.
- vamos continuar fuçando, ouvi dizer que a bailarina só volta em quatro ou oito anos, parece que pegou uma estrada delicada de caminhar, mas tá se divertindo.
- bailarina que pegou uma estrada, desisto de entender, vou continuar sentindo, me parece que o ritmo aqui neste post longo tem um ar de saudade.
- vamos nos sentar, saudade boa essa...

(continua)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Janeiro, janelas abertas, tem gente entrando. Mas neste blog ainda mora alguém? (Parte I)

- Ei, tem alguém aí?!
- Hum, este blog corre o risco de ficar em silêncio por um bom tempo. Ou pelo menos parece que estamos sós por aqui.
- Sei lá, parece mesmo tudo abandonado, tem poeiras pelos cantos, teias de aranha se formam a cada post.
- Olha! As imagens ganham tons amarelecidos...é, faz tempo que ninguém passa por aqui.
- Dá uma olhada nas fotos dos antigos donos!! devem estar grisalhos, pele enrugada, será não voltam mais?
- Vamos deixar as mochilas pelos cantos e ver o que encontramos em cada linha.
- Boa idéia, tá tão silencioso que dá pra ouvir as letras rangendo, nossa os antigos donos deveriam ser pessoas um pouco confusas, as letras não se conectam, as palavras parecem formar códigos.
- Tem razão, para quem será que escreviam?
- Não faço a mínima idéia...dá uma olhada nisso, tem muito sentimento pingando nesses títulos, vamos ligar os ventiladores pra ver se refrescamos o ambiente.
- Falando nisso, esse povo que morava aqui deveria sentir muito calor, tem 2 ventiladores em cada post.
- Ouvi dizer que gostavam de vento, na verdade e, quando fechavam o blog, nunca deixavam os posts sem ventilação, parece que era tradição mesmo, ou algum tipo de paliativo contra males diversos.
- O vento! Deixa ele purificar o ambiente!
- escuta, tá ouvindo?
- o quê?
- uma música, presta atenção, é um ritmo diferente.
- Não to ouvindo, desliga o ventilador aqui do canto pra ver se ouço.
- Parou, calma, a música vem dos ventiladores, liga de novo!
- Nossa! Incrível! Os ventiladores balançam nossas almas, que sensação!

(continua)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A música toca, suas mãos permanecem


Ele ri de imaginá-la rir.
Ele pensa quando a imagina reflexiva, chorosa ou mesmo revoltada.
Quando sabe que ela está feliz, ele se acalma ou mesmo silencia. Não há como lutar contra isso.


Ele adquiriu, sem querer MESMO, um bem querer que não se explica, nem com tiaras invisíveis, nem com lápis colorido, nem com textos abusados. Sente mesmo um carinho, praticou atos que não poderia imaginar. Subiu escadas, viajou, literalmente. Desviou rotas apenas para dizer oi. Quão importante é um oi quando no meio da madrugada a solidão pode te devorar. Siga! Compartilharam um banco, uma praça, uma avenida, várias estações, estilos, vozes. Mesmo distante, ele é um mala. Ele aceita o elogio, já que sabe, da maneira mais convencida possível, que em uma fuga para qualquer monumento, seria esta mala a mais indicada para acompanhar, abrir e deixar sair dali as mais saborosas lembranças, mesmo àquelas que os levam a lugares e situações que nem mesmo viveram. Sábia, ela, que o imagina eterno. Finalmente ela entendeu que não precisa sentir ciúme e que beijo bom, MESMO, é na testa ou na bochecha, porque estes dois destinos são alvos certeiros do mais terno sentimento de amizade. O toque na testa, ou na bochecha, pode plantar palavras que não são ditas e abraços de urso imaginários. A música toca, distante, de uma ilha que aos poucos acorda, gigante, deteriorada. Linda ilha! Lindos traços que se misturam e que forçam sorrisos sinceros. A lágrima que cai, a luz que permanece acesa. Sempre. Minha mão estará a espera.

Espero que não precise do ombro, mas ele também estará aqui.

PS. para você, Alma Amiga Gêmea Textual.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

preciso voltar a outro teclado...

Ai que tarde. Alívio. Me expressei, sei que entendes, que sentes, que sabes. Que respeita acima de tudo. Reconhece o quadro e reflete a pintura que, mesmo que expressionista, deixa claro as intenções e os sabores. que distância que nada. me pergunto como posso me sentir melhor. nada resolvido. deixa para o mês que vem. 2008 é finito, se preferir. imagino o sorriso de novo. no canto da boca, alfinetando neurônios a trabalhar com preguiça. Saia do lugar, eles recebem a ordem! Moleque! Menino! Malandro! Fui interrompido pelot tempo. preciso voltar a outro teclado

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Sinto "((0o0))"


sinto saudades, das companhias certas nos horários impróprios. das refeições saborosas em locais até então desconhecidos. dos diálogos que se transformavam em reuniões sobre o nada. do tempo que o relógio parecia não existir. da bola que pulava e encantava tantos e por tanto tempo. Do abraço que chegava sem que esperasse. da chuva, chuva, chuva...de olhos na janela no frio e embaixo dela, no verão de calças curtas

sinto alívio, imaginando que esteja correndo, falando e mostrando sua importância e se sentindo importante. não espere nada no final do corredor, mas viva, enquanto isso, com intensidade. sinto alívio quando o vento bate no rosto e parece trazer algo de longe, um cheiro, um suspiro, um sorriso, um ato que anima, que impulsiona. sinto alívio assim que cai a noite, assim como raia o dia, porque nos atos sublimes encontro a paz que preciso para abandonar erros e desacertos (são diferentes)

sinto satisfação. agarro a chance de uma nova proposta, de um novo verbo, de responsabilidades que seja, me satisfaço quando trocamos as letras, as palavras que enchem a tela, ou a mente, transformando impossibilidades em certezas efêmeras. sinto satisfação porque aqui, nesta janela, a possibilidade é infinita

sinto algo inexplicável quando os braços alcançam e os olhos percebem a pureza do toque, o gesto imaculado, o sorriso espontâneo, o olho no olho, o aroma nunca encontrado. inexplicável porque aprendemos, sem saber que estamos aprendendo e depois percebemos que tudo mudou. perceba como a distância desaparece, quando falamos com alguém que realmente compartilha dos mesmos sabores, dos mesmos desejos, das mesmas inquietudes. só me deixe compartilhar, mesmo que seja a distância (sem crase)

a distância era confidencial, por isso aqui não cabe os mesmos argumentos, apenas o registro.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Exagere.

O que é o exagero? Exagerar é fazer além, pedir mais, sair do esperado, oferecer em dobro, trabalhar demais, estudar até o dia amanhecer, ler até dormir, caminhar até a estafa, amar até emudecer, gritar a ponto de silenciar, pedir repetidamente, querer até depois de conseguir, saber mais do que se esperou, correr até o final da rua, contar estrelas, ouvir a mesma canção, conhecer o que o olhar nem imaginou, atender antes do toque do telefone, corresponder sem identificar os fins, refletir sobre detalhes, detalhar paralelas, subir quando se está no alto, descer também, lembrar até sentir os mesmos toques e gestos, abraçar o que é apenas uma esperança, esperar o que não sabemos quando irá chegar, ter a certeza de que vai chegar, verbalizar muito em poucas palavras, contar tudo em trinta e nove segundos, sentir todos os segundos, saber transformar minutos em horas, ganhar o dia? Tente exagerar.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

choveu muito, lembrei de uma mulher


Dez minutos depois que me 'pediste' para escrever começou a chover, chuva forte que depois amançou, mas não cessou por não menos que cinco horas. pouca pode até andar sua imaginação, mas de plantão estão os anjos, que derramam água como aquelas que prendem as pessoas em casa e no trabalho só para que continuem a fazer o que haviam começado, ou quem sabe, iniciar algo que lhe fora encomendado. ria, ria muito, pode rir mais!
mas brotar mesmo não brotou nada. pensei em contar a história de uma mulher que conhecera, de um menino que imaginava que não havia se tornado adulto ou mesmo de uma adolescente de opinião forte. nem imagino qual destes relatos que já me cairam às mãos e fruiram na memória você escolheria. fico assim, com essa liberdade que nos prende, com um pouco do que ouvi dizer de uma mulher que dedicara a vida a um homem e que só foi chorar quando ele não mais poderia abraçá-la. sim, foram mais de três décadas dedicadas, amadas, esperanças, planos, estações que se repetiram e se alternaram como sentimentos que partem da euforia, passam pela agonia e insistem voltar aos olhos que brilham com uma voz que sempre dava a certeza de, no mínimo, alegria. caminharam aqueles dois, literalmente. cidades, pessoas, aventuras, terminadas em uma tarde de um verão o qual o que menos importa é a data. fazia calor como hoje, chovia alternadamente como aqueles sentimentos que significaram uma vida, interrompidos pelo tempo, sem desfecho formulados em roteiro. ele partia, sem direitos a despedidas. nunca tiveram certezas, a não ser a do carinho, uma ternura que daquelas que chega a machucar os amargos. ela desabou, enrolou suas lembranças em um lençol e voltou para um lugar que jamais quiz permanecer, mas que permaneceu vivo em suas palavras. esperar não espera mais, apenas vive da certeza de que um dia amou.
PS.fora essas linhas, o texto sobre 2007/2008 é ótimo, pra variar.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

carta para Zezim (ou para um amigo qualquer)


Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.

E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho - e posso estar enganado - que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.

(Morangos Mofados, de Caio F. Abreu, p. 120.)

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

dúvida?


querida menina saltitante, esquecer é um verbo que não se formaliza neste caso. nem esquecer, nem distanciar. aperfeiçoar rotas e métodos talvez explicasse, mas são termos por demais técnicos e pouco elegantes para aquilo que se encena. nada de dúvidas, nem sobre caminhadas, palavras, listas, danças, idas e vindas, sentimentos, quilômetros, passagens, mensagens, mensagens, mensagens, vozes na noite, pessoas, mais pessoas, fatos e repercussões, expressões ditas e malditas...aquilo que se falou, está guardado no devido bau interno, em um canto da mente e coração nos quais guardamos tanto as lembranças mais ternas quanto as vontades mais instigantes. calma sempre, dúvida não entra aqui.

sentir, lentidão e distância

Andava distante aquele menino de calças curtas. Sentia o mundo com uma leveza e um querer que nao sabia identificar. Sentia e caminhava, como grãos de areia que vão e param com o vento...e vão de novo...seguem para o mesmo lugar. Alguém o chamou, precisava chamar. Alguém o lembrou da sua distância, querendo apenas saber, mas com um certo ar de querer mais...ouvir sua voz ou seu sorriso...ou mesmo seu reclamar que por vezes é mais sadio. Reclama e dá sinal de continuar o mesmo. Os dedos se procuram, as palavras se desencontram, está de fato longe, mas não deixa de lembrar, não deixa de querer talvez uma conversa sentado em um banco de praça, no chão pode ser, não importa porque o que vale são as palavras, as expressões e o descarregar da alma, das angústias. Não passa mais que dois dias sem querer falar mais, mas precisa caminhar e se esquece de olhar pra dentro, de chamar, de repetir o que já se sabe. Eu estou aqui! Placas, papéis, planos, pensamentos, pode, se quiser. Subiu em uma montanha, procurou, encontrou, constatou que tudo está, certa forma, bem. Sentou, parou para pensar. Tem algo a se ajustar, mas o tempo trará respostas? Mesmo que espere, nunca pensa em desistir, não seria típico. Nunca foi. Quer aproveitar cada passo, sentir, descalço, o pé no chão, depois o outro, a distância, o aproximar de dedos, de idéias, do caminhar, lento, lento, lento, para que os olhos possam fitar cada ato e possa ouvir pingos, que insistem em pingar mais lentamente ainda. Desacelerar é o verbo que anda conjugando. E desacelerar nunca será sinônimo de esquecer.

sábado, 1 de setembro de 2007

Silêncio, cobrança e certeza

Silêncio, que estão dormindo. Em uma semana muda e por demais turbulenta, a distância predominou. Não por opção. De novo, os dias, impiedosos, que saboreiam incertezas, aceleram ponteiros e alternam sensações. A cobrança se fez inevitável mas, antes, deliciosamente, saborosa, direta, impiedosa. Adorável diálogo ao por do sol, distante e irreal, mas suficiente. Palavras que aproximam e faz lembrar que cada degrau é vencido de maneira segura, mesmo que em uma velocidade contrária a dos tais ponteiros. Viaja, navega, segue. Ao menos, a certeza de algo bom do outro lado permanece a mesma.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Sem pressa, saborosos tombos


Aquela avenida é da entrada da cidade que não guarda pétalas. Queria ele que durante a noite o seu fim chegasse debaixo da sua janela. Ele pediria para ela sair para treinar rasteiras na calçada...passou um bêbado iluminado e perguntou o que estava acontecendo e ele respondeu: "isso é parte to meu tratamento para encarar o que chamam de realidade". Seguiram em uma alternância de tombos que só a infância é capaz de proporcionar tamanha alegria em algo tão inesperado e simples. Mas o que é mais saboroso do que a simplicidade de atos sem explicação? Sentiram uma leveza que risos não traduziram o que os transformava enquanto a noite seguia, mansa, silenciosa, dorminhoca mesmo, sem pressa...(autor desconhecido, esse texto foi encontrado debaixo de uma escadaria)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

A cara amarrada deu lugar a um brilho intenso em seus olhos

Durante a manhã, choveu. Foi cômodo pelo menos para se manter em uma sala com desconhecidos que pensam entender muito em uma realidade que é mais complexa do que imaginam. Pedante eu? Sei lá, pode chamar assim, se preferir. A vida já colocou diante de cada sobrenome inúmeros rótulos que nessa era sem fundamentos é besteira se preocupar com eventualidades. Sigamos. Ela insistia em ir até uma certa escadaria que tinha visitado quando ainda era criança. Ele queria mesmo era ir, não sabia para onde, mesmo que fosse para a escadaria, mesmo que fosse embora. Mas a despedida assim, no final da manhã seria no mínimo vazia. E além de ir, ele teve que buscar no mapa, no meio da floresta, o caminho que os levasse aos degraus. Mistérios aos montes é o que oferece essa doce criatura, que quer e quer, mas sempre pede pra ser conduzida. Pede não, insinua. E consegue, sem que reclamem. É para poucos mesmo saber lidar com tamanha controvérsia: exigências e pedidos sorridentes, não há como negar que se trata de algo tênue. Fugiram dos primeiros pingos da chuva que avisava que voltaria. O céu cinza, cinza, carregado, mas aguardou que chegassem debaixo de uma árvore, um ponto que os levaria àquele lugar que ele nem tinha certeza de que saberia voltar. Debaixo daquela tenda, árvore, concreto, pouco importa, se conheceram mais. Chuva, muita chuva, foi o pano de fundo entre um sorvete e outro, de uma água e a primeira tentativa de rasteiras que a fez ficar perplexa de como ele poderia ser ... maluco? espontâneo? leve? até hoje ele não consegue sentir o que ela sentiu. Ela tão pouco quer explicar, ele se conforma, não quer entender, apenas ir. Riram, se esconderam, cansaram de esperar até que a chuva parou e algo se abriu para que se sentassem lado a lado. Mais uma vez, se sentiram em ambiente estranho. Ele reagiu com atenção para avistar as escadas. Ela, reagiu falando, falando, falando, com uma segurança em seu guia que a permitia falar sem cansar. Se provocaram como se descobrissem na infância, se entreolharam por entre lentes um pouco tímidas, um pouco atrevidas. O receio de que não avistassem as escadas fez com que pedisse silêncio. Ela sumiu de repente. Ele nem se importou, afinal queria mesmo era continuar com traquinagens que permitiam senão se conhecerem além do previsto. A irritação dela com o pedido de silêncio fora ao mesmo tempo mortal (diz ela) e marcante (crê ele). Mais um motivo para diversão, já que era esse a função daquela tarde que começava com mormaço, um pouco de fome e incerteza de como terminaria. Falaram pouco por cerca de quinze minutos, ou nada. Ele avistou as escadas, se levantou como se fosse a deixar perdida...ela se levantou e, ao colocar os pés no chão novamante, retirou a cara "amarrada". Era brilho puro o que refletia em seus olhos. Era alegria o que ele sentia ao se deparar com o brilho dos olhos dela. Satisfação é pouco o que possa representar aquela chegada. Uma nova página começava a ser escrita.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Sobre o mesmo fim de tarde

Caminharam durante algumas horas, mas, como ela é chamada por ele de exagerada, caminharam centenas de quilômetros num único dia. Ao menos era assim que os pés se sentiam, já que, além do corpo mole (porque ela é um tanto preguiçosa para as atividades físicas também), levavam o peso da bolsa, das blusas de frio, da apostila. Apostila? Ela lembrara somente meses depois que havia sim uma apostila cheia de páginas quase em branco.
Precisou interromper a caminhada antes dos já previstos últimos passos. Precisou porque, além de cheia de ritos, é possessiva. E, independente de pensar se era ou não a hora certa – diga-se “bonita” - de se despedirem, queria mais tempo com ele.
Disse que estava com fome - mas talvez tenha inventado, não sabe mais. Uma cantina estreita com pessoas interessadas em refeições rápidas no balcão, ainda que num sábado. E ela tentando não contagiar a refeição com aquele ritmo onde o que importava mesmo era apenas matar a fome. Precisava matar a mania chata e birrenta de querer uma coisa e não abrir mão. Precisava convencer a si mesma, em poucos minutos, de que o dia seguinte traria o próximo encontro. Apenas o dia seguinte. Na verdade, sofreu por antecipação, porque teriam outro encontro no mesmo dia. Conversariam por horas. Ele, de chinelos. Ela, antes de cochilar sob os raios de luz de tantos postes e fachadas de bares e restaurantes, que uma terceira pessoa da história os levou para conhecer.
Mas como é ansiosa, no fim da tarde já estava mesmo no fim do roteiro, em plena cantina. Sossega e come! Aliás, “come com as mãos mesmo”, ele disse. Parece até que estava com pressa. Estava? E quem disse que esperar por pratos e talheres não seria uma outra, ainda que quase insignificante, estratégia de atraso. De prolongamento da conversa. Mas a estranheza era mesmo quanto a falta dos talheres. Esfirra a gente come com as mãos. Eu sei, chatíssimo! Mas esfirra aberta??? E depois ela é que é uma garota muda que usa tiaras e canetinhas coloridas! Por procurar talheres! Comeu mesmo com as mãos. Não sabe se matou a fome porque ficou pensando em argumentos que fizesse querer ficar ali ao menos por uma eternidade. Mas não quis. Ele precisa ir. Ela precisava ir. Não sabia que ficariam ali quando quisessem. E que poderiam voltar, por exemplo, numa sexta-feira a tarde, marcando o encontro para o minuto seguinte. Conversaram. Foram embora. Nos poucos passos entre a cantina e a possibilidade de descansar, já não sentia o peso da bolsa e do cansaço. Já não se preocupava com despedidas. Porque o convenceu a leva-la até a porta. E ele foi sem reclamar nem um pouco.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Simples, no fim da tarde

Já haviam andado um bocado, visitando alguns poucos lugares, nem imaginavam o que lhe reservaria o dia seguinte. Mas pra que esperar o dia seguinte pra ver se em algum momento aquele encontro teria compensando? O acaso os levava ao ponto de partida e talvez o mesmo acaso deixaria a tarde cair sem a menor importância. Ambos adoram o silêncio, ainda mais quando carregado de pinceladas significativas de incerteza. Mais uma ou duas esquinas e estaria entregue a menina que pedira informações para chegar em casa. Pobre menina, tímido menino. De tão tímido, imaginava que ela estaria usando tiara, mas não, talvez a timidez e o questionamento do que estariam fazendo ali, bem longe de um mundo que os sufoca, já refletisse em sua mente e corpo, cansados de andar e andar. Avistou o portão anunciado, branco, alto e resolveu ter fome para alongar um pouco mais aquelas palavras, poucas que ainda fossem. Ela aceitou o convite e entraram em uma casa árabe. Porta estreita, corredores longos, um cheiro de quitutes mediterrâneos pairava no local. Ele percebeu que ela ficara um tanto quanto deslocada. "Acho que ela nunca parou em lugar algum para comer assim, de repente e, ainda mais, em pé!", pensou ele. Enfim, convite aceito, ela demonstrou pouca habilidade com o improviso, mas resolveu se sentir a vontade, embora ele não tivesse se convencido. Como bom amante de gastronomias diversas, ele se adiantou e pediu algumas esfihas e, percebendo um certo desconforto na menina que mal sabia apontar qualquer direção quando estava longe de casa, resolveu sugerir algo que fosse leve e pudesse quebrar o gelo entre ela e o balcão. Bem servidos, a moça ainda se mostrava confusa com simples atos de onde colocava as mãos, a bolsa, se relaxava os dedos dos pés ou se abria a boca. "Come com a mão mesmo", sugeriu o menino que apesar da idade já não é tão menino (mas faz questão de guardar molecagens que quebram qualquer gelo). E depois ele sorriu, ela também, timidamente. Ficaram por ali cerca de meia hora, riram de quase tudo, por quase nada. Não apenas mataram a fome, mas definitivamente quebraram o gelo, as cerimonialidades. Ele, conseguiu enfim rir da cara dela sem ser considerado um desalmado. Ela, descobrira que não existe pecado algum em comer com as mãos. Simples, no fim de tarde. Surpresa, no fim de uma rua. Agradável, como algo que começa depois do fim.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Manhã de terça

Um pouco do que viveu pela manhã. Acordou antes do previsto, depois do que muitos querem e imaginam. Café, silêncio, passos lentos, os sons de sempre, as frutas de sempre, muita água. De volta ao mesmo quarto, pensou que ligar a luz com o sol já radiante seria uma contribuição com o aquecimento global. Abriu as janelas, resolveu, ao contrário do que imaginava para mais uma morosa manhã de terça, se sentar, dentro do quarto, vistas e mente para fora dele. Via as arecas balançarem com um vento que não lhe soprava o peito. Apenas passava aquele vento como quem levasse embora o adubo recentemente despejado em uma frágil plantação de...girassóis talvez (não tem conhecimento científico para tanto). O que sentia era que o vento apenas estava de passagem, não invadia peito adentro como se faz em escadaria e em companhia certa, por mais falante que seja. Que silêncio fez-se nessa manhã, na mente, no coração, na alma, que se renovou permanecendo a mesma. Contempla e busca algo em uma paisagem que o acompanha por anos e pouco lhe significa. Que sociedade observa dá li ce cima, de dentro do quarto? O que já fez por ela? Não busca respostas, como ultimamente não busca. Contempla e contempla, em silêncio, quer estar bem apenas, se permite ser egoísta e apenas estar bem. Tira os sapatos, as meias, levanta as barras da calça e se acomoda no chão mesmo. Olha o céu, ouve alguns sons que misturam urbano e sublime, humano e natureza...combinações que enlouquecem e impedem, que fazem 'sair do corpo' como revelara uma certa pétala...ai dias que se arrastam entre obrigações que lhe agradam mas enfadonham durante a noite, no meio dela, vem a insônia...ai dias, que trazem o medo de antigas crises e impedem que a madrugada chegue de mansinho, sem pressa para acabar...ai manhãs de terça, morosas e infinitas, suaves como passos não bailados. Registrar o que se passou é uma forma que alivia, envia para uma caixa que talvez nunca se apague, encontrou uma maneira de guardar a si mesmo. Longe dali, mas dentro de um bau por demais seguro.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Significados e buscas

Não seja pobre de espírito. Mantenha a distância daquilo que não te leva no mínimo para o lado. Ser sensível não significa chorar. Porque lágrimas são derramadas na mesma quantidade por um paredão de execução e por um poema. Perceba as gotas que se intercalam após a estiagem. Bela palavra, estiagem, por pior que signifique. Mas o que significam conceitos, atos e ações que nem sempre ocorrem em condições desejadas? O óbvio é odioso. Se for assim, ligue a TV. Prefira as palavras que escapam de repente. Elas não são deslizes, são expressão de uma verdade pura, digna da infância. Se bem que a molecada hoje aparece já com controle remoto e memória digital. Não há o que socorrer, então assista Crash. Oscar em 2006, relata a intolerância, a ignorância, o preconceito e a falência humana com raro toque de sensibilidade. Mas uma película não significa nada. As pessoas querem rir, mesmo que ao dobrar da esquina sejam textualmente executadas. Retalhos de algo que se foi a um clique sem vergonha. Já foi, o mundo não permite que se faça o mesmo roteiro. Tente mais em outro vazio. O que significa tudo isso? Você não entendeu, tente em outro vazio, porque o vazio é moda, é tendência, é elegante. Busque.