terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A música toca, suas mãos permanecem



Ele ri de imaginá-la rir.
Ele pensa quando a imagina reflexiva, chorosa ou mesmo revoltada.
Quando sabe que ela está feliz, ele se acalma ou mesmo silencia. Não há como lutar contra isso.



Ele adquiriu, sem querer MESMO, um bem querer que não se explica, nem com tiaras invisíveis, nem com lápis colorido, nem com textos abusados. Sente mesmo um carinho, praticou atos que não poderia imaginar. Subiu escadas, viajou, literalmente. Desviou rotas apenas para dizer oi. Quão importante é um oi quando no meio da madrugada a solidão pode te devorar. Siga! Compartilharam um banco, uma praça, uma avenida, várias estações, estilos, vozes. Mesmo distante, ele é um mala. Ele aceita o elogio, já que sabe, da maneira mais convencida possível, que em uma fuga para qualquer monumento, seria esta mala a mais indicada para acompanhar, abrir e deixar sair dali as mais saborosas lembranças, mesmo àquelas que os levam a lugares e situações que nem mesmo viveram. Sábia, ela, que o imagina eterno. Finalmente ela entendeu que não precisa sentir ciúme e que beijo bom, MESMO, é na testa ou na bochecha, porque estes dois destinos são alvos certeiros do mais terno sentimento de amizade. O toque na testa, ou na bochecha, pode plantar palavras que não são ditas e abraços de urso imaginários. A música toca, distante, de uma ilha que aos poucos acorda, gigante, deteriorada. Linda ilha! Lindos traços que se misturam e que forçam sorrisos sinceros. A lágrima que cai, a luz que permanece acesa. Sempre. Minha mão estará a espera.


Espero que não precise do ombro, mas ele também estará aqui.

PS. para você, Alma Amiga Gêmea Textual.






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