terça-feira, 22 de janeiro de 2008

VISITANTE DA VEZ

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Ser gentil é ser saudável
(por Mirele Antunes*)
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Vivemos sob constante tensão. A busca desenfreada pela beleza física a qualquer custo, status, entre outras coisas da sociedade moderna e imediastista, nos trouxe muitas contribuições negativas. O culto ao corpo e a beleza física, tomou proporções sem limites. Milhares de pessoas em todo mundo realizando lipo após lipo, cirúrgias plásticas, botox nas mais variadas partes do corpo. O que importa é ser sarado(a). Eis a nova ordem mundial.
Quanto à tecnologia, quantos museus de grandes novidades ainda estão por vir? Objetos que saem quentinhos do forno de tempos em tempos, promentendo alimentar a fome de muitas vidas em todo mundo. Dando a ilusão de que está aí a receita da felicidade ou que o computador e a geladeira de última geração serão a solução de todos os problemas.
Queridos amigos, me deixa triste esse mundo doente. Ter o corpo bonito e viver confortavelmente são fundamentais para uma boa qualidade de vida. É ótimo e eu também adoro. Mas existem certos valores, talvez até fora de moda, que tornam a nossa vida melhor e mais feliz.
Por exemplo, a espontaniedade de um abraço verdadeiro. O almoço em família. A gentileza feita a alguém (sem segundas intenções). Coisas simples, de baixa tecnologia, que nos trazem a doce e terna lembrança da casa de nossos avós, a brincadeira na terra, os pés descalços, o bolo que sai quentinho no meio da tarde interrompendo a brincadeira - hummmmmm...e comer sem culpa! Perguntar a alguém se está tudo bem e realmente se importar com a resposta. Amar e ser verdadeiramente amado. Tomar um chá, perceber seu sabor. Sentir...
A busca pela beleza vale nuito a pena, desde que seja através de métodos e técnicas que respeitem o biotipo, a natureza e o psicológico - o ser humano como um todo. Menos radicalismo e traumas. Todas essas observações podem parecer piegas, mas, sem dúvida, tornam a nossa vida melhor e mais saúdavel, levando por fim à tão desejada beleza verdadeira.
Pra terminar, um pouco de poesia, relembrando nosso pequeno grande poeta, Vinícius de Moraes, "as muitas feias que me desculpem, mas a beleza é fundamental". Ser gentil é ser bonito e saúdavel.

Um abraço apertado a todos e que nenhum de nós se esqueça da beleza e sensação dos pés descalços...
* Mirele Antunes é fisioterapeuta e trabalha com Massoterapia no Núcleo Terapias Integradas - Penápolis-SP.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Exagere.

O que é o exagero? Exagerar é fazer além, pedir mais, sair do esperado, oferecer em dobro, trabalhar demais, estudar até o dia amanhecer, ler até dormir, caminhar até a estafa, amar até emudecer, gritar a ponto de silenciar, pedir repetidamente, querer até depois de conseguir, saber mais do que se esperou, correr até o final da rua, contar estrelas, ouvir a mesma canção, conhecer o que o olhar nem imaginou, atender antes do toque do telefone, corresponder sem identificar os fins, refletir sobre detalhes, detalhar paralelas, subir quando se está no alto, descer também, lembrar até sentir os mesmos toques e gestos, abraçar o que é apenas uma esperança, esperar o que não sabemos quando irá chegar, ter a certeza de que vai chegar, verbalizar muito em poucas palavras, contar tudo em trinta e nove segundos, sentir todos os segundos, saber transformar minutos em horas, ganhar o dia? Tente exagerar.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

choveu muito, lembrei de uma mulher


Dez minutos depois que me 'pediste' para escrever começou a chover, chuva forte que depois amançou, mas não cessou por não menos que cinco horas. pouca pode até andar sua imaginação, mas de plantão estão os anjos, que derramam água como aquelas que prendem as pessoas em casa e no trabalho só para que continuem a fazer o que haviam começado, ou quem sabe, iniciar algo que lhe fora encomendado. ria, ria muito, pode rir mais!
mas brotar mesmo não brotou nada. pensei em contar a história de uma mulher que conhecera, de um menino que imaginava que não havia se tornado adulto ou mesmo de uma adolescente de opinião forte. nem imagino qual destes relatos que já me cairam às mãos e fruiram na memória você escolheria. fico assim, com essa liberdade que nos prende, com um pouco do que ouvi dizer de uma mulher que dedicara a vida a um homem e que só foi chorar quando ele não mais poderia abraçá-la. sim, foram mais de três décadas dedicadas, amadas, esperanças, planos, estações que se repetiram e se alternaram como sentimentos que partem da euforia, passam pela agonia e insistem voltar aos olhos que brilham com uma voz que sempre dava a certeza de, no mínimo, alegria. caminharam aqueles dois, literalmente. cidades, pessoas, aventuras, terminadas em uma tarde de um verão o qual o que menos importa é a data. fazia calor como hoje, chovia alternadamente como aqueles sentimentos que significaram uma vida, interrompidos pelo tempo, sem desfecho formulados em roteiro. ele partia, sem direitos a despedidas. nunca tiveram certezas, a não ser a do carinho, uma ternura que daquelas que chega a machucar os amargos. ela desabou, enrolou suas lembranças em um lençol e voltou para um lugar que jamais quiz permanecer, mas que permaneceu vivo em suas palavras. esperar não espera mais, apenas vive da certeza de que um dia amou.
PS.fora essas linhas, o texto sobre 2007/2008 é ótimo, pra variar.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

VENTANIA


Foto: José Marques Lopes, Penápolis-SP.
                                

Ano Novo, ventos novos! O que 2006 teve de calmaria e tempo disperdiçado, 2007 teve de ventos, ainda que, por quase todo o tempo, suaves. Mas os poucos dias de ventos fortes compensaram o calendário inteiro, com pensamentos bagunçados por novos pensamentos em busca de espaço, dúvidas planando ao redor, coisas sendo mudadas de lugar sem aviso - e com aviso também.
Perca o tempo com o que quiser, só não perca o vento batendo no rosto. Literalmente!
Em 2007 estivemos numa escadaria. Deixamos o vento (des)organizar as idéias. Por alguns minutos confirmei que precisamos sempre de uma lufada de vento, se for inesperado, melhor ainda. Por isso o vento na escadaria do monumento, em frente ao Museu do Ipiranga, ficou sendo o primeiro entre os melhores momentos vividos em 2007.
Marília, São Paulo, Rio Preto, Araçatuba. Prova de mestrado, curso, fórum, palestra, shows, camarins (e os micos, é claro!), churrascos, noites na rua falando abobrinha, ouvindo música. Big Brother Birigui. Encontros e reencontros com os focas mais perturbados do planeta. Certezas. De que nem tudo é tirado do lugar - não importa o vento. Amigos novos, muitos. Velhos amigos, muito mais próximos.
Por isso 2007 foi o ano das confirmações. Os tantos erros tolerados, alimentados e despedidos em 2006, ficaram ainda mais evidentes depois, olhados de longe. Foi o ano de olhar pra trás e encarar, reconhecer o que definitivamente nunca deveria ter recebido tanto espaço. E, claro, dar-lhe o devido lugar. O ano de se ver repetindo "mas o que eu estava fazendo pra não ter enxergado isso?". O ano de faxinar. De deixar os valores, os relacionamentos, as idéias e os sonhos em suas devidas prateleiras. E dizer "se quase não sei o que fazer com tudo isso, ao menos agora eles estão com seus devidos rótulos, em seus devidos espaços".
E justo para a menina que adora ritos, assim que chegou 2008 deixaram que lhe tocasse os ouvidos "Tão fácil perceber que a sorte escolheu você e você cego, nem nota (...) Se a sorte lhe sorriu, porque não sorrir de volta?" e ela já esperou por ventos. Quase impaciente. E nem precisou esperar muito.
Mal 2008 deu as caras e já foi eleito o ano das mudanças. Do aprendizado. Agora sim, com os pensamentos em ordem. Saber para onde olhar. Ter para onde olhar, com vontade. Com ventos. Com previsão até de ventania.


Vento Ventania
Vento, ventania
Me leve prá onde
Nasce a chuva
Prá lá de onde
O vento faz a curva...

Me deixe cavalgar
Nos seus desatinos
Nas revoadas
Redemoinhos...
Vento, ventania
Me leve sem destino

Quero juntar-me a você
E carregar
Os balões pro mar
Quero enrolar
As pipas nos fios
Mandar meus beijos
Pelo ar...

(...)

Vento, ventania
Agora que estou solto na vida
Me leve prá qualquer lugar
Me leve mas não me faça voltar...