quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

dezembrar


É dormir com as janelas abertas, porque o medo fica pra lá do muro, e quando balança a antena sobre o telhado, aproveito para ri.
É caminhar sem tirar os pés do lugar, viajar sentados na beira do caminho, inventar o que não existe, e aproveitar para inventá-lo ali mesmo.
É parar o mundo inteiro depois de uma ideia absurda, compartilhada com a cabeça cheia de cores.
Escolher o vestido, escolher o brinco, escolher a mesa, e soltar as palavras, sem escolhas
Vestir roupas de ginástica para exercitar a beleza de não se fazer nada, além de imaginar.
Parar no meio da praça, sem hora para ir embora.
Ser uma árvore. Uma árvore grande, de folhas novinhas, que ninguém consegue arrancar, porque estão altas, altas, altas...
Olhar a chuva, e torcer para que o vento aumente muito mais, e molhe toda a roupa, a bolsa, o cardápio.
Pegar sempre o caminho mais longo, pra conversa durar mais.
Combinar e cumprir, não combinar e curtir, combinar e se divertir sem precisar combinar.
Dormir, ser acordada, para dormir mais, acordar e achar que sonhou.
Dezembro eu, dezembras comigo.
Dezembremos juntos, dezembramente livres.

Um comentário:

Daniel Souza disse...

Amanda, excelente poema, gostaria de postá-lo em meu blog com sua autorização e mencionando os devidos créditos. Apreciaria mantermo-nos conectados via facebook, além do blog, para trocarmos idéias e poemas (tenho um blog de poemas (intensa tez) e outro de variedades (se espirrar, saúde!). Aguardo sua mensagem, obrigado! Daniel