segunda-feira, 28 de setembro de 2009

fruir

tem dias, ou um período um pouco maior, que tenho a sensação de que devo deixar o ar entrar, depois sair, depois voltar a circular, para que as letras sigam assim de modo mais solto. e quando este período se alonga, será sinal de que travamos ou de que simplesmente devemos escolher as palavras, pensar mesmo até na fonética e no subsequente efeito que poderia causar?

não tenho respostas e nem mesmo a pretensão. circula, o ar, mais uma vez. inoperância é algo que transtorna, sacrifica mesmo as horas e faz com que o ponteiro trave. incômodo, não, apenas ando conforme o som das letras nesse teclado que se mostra cúmplice. pontos.........interrogações?????? pra que envelhecer antes do tempo, se bem que conheço uma ou duas pessoas que mesmo depois dos noventa se mostram lúcidas e com uma capacidade de fruição impressionante...FRUIR, lá do Aurélio, estar na posse de, usufruir.

Vígulas não pedem respostas, apenas sugerem calma.

PS. ...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

companhia



Aqui não tem ninguém. E eu me esforço para que ninguém nunca veja, nunca leia, nunca note este espaço. Aqui não tem tinta, lápis, carvão, batom. E todas as minhas tentativas são contrárias ao que devo querer. Aqui não faz silêncio. E eu fico olhando a tela com uma batida ardente no tronco, vinda do estômago, espalhada uniformemente, fortemente, de repente, sinfonia de pratos e garfos, facas e garfos, colheres e facas, garfos e saltos, caindo, caindo, caindo, batendo por um, dois, três...tantos segundos que entontecem a sina de dar conta destas broncas - que a gente carrega pela teimosia; invoca e não larga; machuca, mas não fica na estrada por nada; não é deixada, não perde a vaga.

Vejo letras, letras, letras, feitas com dedos trêmulos (assim eu os quero), como os meus. Dançam e param, dançam e param. Espero, e o salão é o mais longo onde já dançamos - porque os seus não convidam, não tentam, me deixam. Tão longe, me tocam. Espero, sem pausa - dos pratos e garfos, facas e garfos, colheres e facas, garfos e saltos. Seus dedos sem pontas.
Os meus deixaram a leveza, a delicadeza da hora de estrela (passada, há tanto); ganharam a linguagem do tempo: doente, ferrugem, fugitivo da verdade de empoeirar-se ao longo de tanta pausa. Engano-os, enganam-me, esforçamo-nos! Não escreva, não deixe que percebam, esconda as pontas da vontade.

Obedeço. Guardo os dedos. E estremeço.

II - Danço, peço, quero, vejo, ganho. Segundo ato. Fato. Exato como quero. Não peço. Tenho. Ganho. Gosto. Volto - com os dedos. Perdoo. Esqueço. Invento - pronto!!! Ponto. Escreva, escreva, escreva, escreva, e-s-c-r-e-v-a, e--s--c--r--e--v--a, e---s---c---r---e---v----a, e-----s-----c-----r-----e-----v-----a...
e
s
c
r
e
v
a

terça-feira, 15 de setembro de 2009

l i v r e

“Escrevo porque não sei fazer música. Se soubesse ler partituras e articular notas harmônicas, não me arriscaria nessas linhas tortas e analfabetas. A música é uma forma de comunicação muito mais eficaz e perene. Qualquer canção permanece por mais tempo no imaginário do que o melhor dos textos literários. Mas é preciso ter ouvido sensível e alma dançante. Como não fui capaz de desenvolver tais habilidades, fiz a faculdade de Jornalismo. Na verdade, queria ser escritor, mas logo descobri que seria emparedado pelas regras de objetividade da imprensa diária”. (Felipe Pena)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

vou voltar

nunca foi tanto uma fase de treinar a ansiedade. esperar, nunca foi do meu feitio. quando esperei me dei mal. por isso, sei que aguardar apenas não me levará a lugar nenhum. ainda as idéias estão em lugares esparsos, mas elas chegarão na ordem que pretendo. não terei pressa é verdade, mas ficar apenas olhando? sem chance. ficar na dúvida quanto aos sentimentos, esqueça! mesmo quando estiver ali, apenas sentado, saberá que estou agindo, porque até agora, em tão pouco tempo neste planeta, aprendi que preciso resolver e não deixar que resolvam. humor, as palavras, não foram as melhores nos últimos segundos, mas...vou voltar.
PS. não duvide. apenas aproveite o que tem de bom.